Rio de Janeiro, 18/06/2012 - Na segunda “Roda de Conversa” do estande do Ministério das Comunicações, no último sábado, no Pier Mauá, foi realizada uma discussão sobre “Lixo Eletrônico: Impactos e Transformações”.
O coordenador-geral de Formação da Secretaria de Inclusão Digital do MiniCom, Dênis Rodrigues, mediou os debates. No início do evento, ele afirmou que, dentro da Secretaria de Inclusão Digital, a discussão sobre lixo eletrônico é constante e fundamental, uma vez que, quanto mais as pessoas estiverem conectadas, maior é a possibilidade de consumo e, consequentemente, de geração de resíduos. “Como está o debate, dentro do governo, sobre a questão do plano de resíduos sólidos e como o governo está vendo a questão da educação ambiental?”, questionou Dênis.
À direita, Dênis Rodrigues, coordenador-geral de Foração da Secretaria de Inclusão Digital do MiniCom, que mediou debate na Rio+20 sobre lixo eletrônico. (Foto: André Marinho/Cara Preta Comunicação)
Andréa Caresteada, do Ministério do Meio Ambiente, afirmou que, desde a Rio 92, a discussão sobre resíduos sólidos vem crescendo dentro do governo já que, com o crescimento econômico do Brasil, a população está consumindo mais. Segundo ela, os produtos de maior apelo aos indivíduos são os produtos eletrônicos, logo, nos últimos anos, a quantidade de lixo eletrônico aumentou muito. A partir desta reflexão surgiu, em 2011, o Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Um dos avanços deste plano, segundo Caresteada, é a ideia de logística reversa: a empresa produtora é responsável pelo recolhimento e destinação de seu produto.
Já Felipe Fonseca, consultor ambiental, afirmou é preciso repensar as políticas de reciclagem de lixo eletrônico. Segundo ele, os produtos eletrônicos não são fáceis de serem separados para voltar para o ciclo produtivo. Nesse sentido, Fonseca e Eloir concordam que é necessário trabalhar antes da reciclagem. O caminho a ser seguido seria, portanto, primeiro forçar as empresas a produzir objetos que durem mais tempo; em seguida, utilizar e reutilizar ao máximo os produtos e, só depois, levar para reciclagem e, por fim, para um aterro.
No entanto, como afirmou Caresteada, a cultura humana é o grande empecilho à mudança, logo, é necessário aumentar o investimento em educação ambiental. Para exemplificar, Eloir José conta sua experiência no Centro Social Marista, onde os resíduos eletrônicos são vistos como uma ferramenta pedagógica. Lá eles possuem um projeto apoiado pelo MiniCom, o CRC (Centro de Recodicionamento de Computadores) que possui como principal objetivo a formação ecológica e humana de crianças e adolescentes. Segundo Eloir José, por meio da metareciclagem e metaarte, os alunos trabalham lógica, arte, física, e as próprias relações humanas. Esse projeto, diz ele, deveria ser levado para todas as escolas públicas do Brasil.
O último a falar foi Rodolfo Avelino, do Coletivo Digital, parceiro do MiniCom. Sua fala trouxe números oficiais alarmantes. O Brasil, por exemplo, entre os países emergentes, é o que mais descarta resíduos eletrônicos, cerca de 500g por habitante, por ano, enquanto na China são descartados 250g. Segundo informações da própria Anatel, há cerca de 245 milhões de celulares já ativados hoje no Brasil. Avelino questiona: “para onde vão esses aparelhos? Para onde tem ido? A logística reversa a ser regulamentada/implementada estará pronta para lidar com essa demanda?”.
Após duas horas de conversa os debatedores concluiram que esta é, de fato, uma discussão longa, difícil e cara.
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